Livro – Mar Sem Fim, de Amyr Klink

AmyrKlinkMar Sem Fim é um livro de aventuras, resultado de uma viagem que Amyr Klink fez à Antártida. Amyr Klink é um navegador brasileiro muito famoso pela sua solitária travessia do Oceano Atlântico, narrado no livro 100 Dias Entre o Céu e o Mar.

Tive a oportunidade de conhecer o Amyr Klink em uma palestra promovida pela Sousa Cruz na Universidade de Brasília há alguns anos. Gostei bastante da palestra e coloquei o livro na lista dos “para ler”.

A viagem relatada no livro durou 141 dias e o percurso consistiu em uma volta completa em torno da Antártida, ou seja, uma “pequena” volta ao mundo. Amyr viajou sozinho durante esse período e passou por muitos perrengues, apesar de todo o amparo tecnológico.

O livro é escrito na forma de diário e é repleto de termos técnicos próprios de navegação. No fim, há o diário de terra, escrito pela esposa do Amyr, Marina Klink. O ponto alto do livro é a vontade sincera de Amyr de viajar e conhecer o mundo, que passa por cima da saudade que sente da família deixada em Paraty. Sobre essa vontade de desbravar o mundo, que se mistura com muita determinação e coragem, há uma passagem bem bonita:

Hoje entendo bem meu pai. Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver. Não há como não admirar um homem – Cousteau, ao comentar o sucesso do seu primeiro grande filme: “Não adianta, não serve para nada, é preciso ir ver.” Il faut aller voir. Pura verdade, o mundo na TV é lindo, mas serve para pouca coisa. É preciso questionar o que se aprendeu. É preciso ir tocá-lo.

O relato da viagem também se transformou em um ótimo documentário.

Enfim, recomendo muito a leitura para os leitores aventureiros!

Mar Sem Fim Amyr Klink Editora Companhia das Letras 308 páginas
Mar Sem Fim
Amyr Klink
Editora Companhia das Letras
308 páginas
Livro – Mar Sem Fim, de Amyr Klink

TAG Livros

Vi a tag Livros no Aceita um Leite? Aqui vão as minhas respostas:

2014

1 – Um livro que te surpreendeu em 2014

Um Grito de Amor do Centro do Mundo, de Kyoichi Katayama. O livro é bastante sensível e profundo.

2 – Um livro que te decepcionou em 2014

Roverandom, de J.R.R.Tolkien. Adoro O Hobbit e O Senhor dos Anéis, mas o tal do Roverandon é muito ruim.

3 – A melhor adaptação que você viu em 2014

O filme Desejo e Reparação, baseado no livro Reparação, de Ian McEwan. Não entendo de cinema, mas adorei tanto o livro quanto o filme.

4 – Um livro que não conseguiu terminar em 2014

Dublinenses, de James Joyce. Sabe quando não é o momento certo de ler o livro? Preferi deixar para depois.

5 – Quantos livros você conseguiu ler em 2014?

Li 60 livros.

2015

6 – Um livro que você está ansiosa para o lançamento em 2015

Concentração e Outros Contos, de Ricardo Lísias. O livro será lançado este mês.

7 – Um (ou mais) desafio que se propôs a participar em 2015

Desafio Quero Ler Mais Clássicos (Blog Pensamento Tangencial), Desafio Livrada 2015 (Blog Livrada) e Projetos de Leituras Cronológicas de Machado de Assis e Guimarães Rosa.

8 – A adaptação mais aguardada por você em 2015

Estou ansiosa para o lançamento do filme No Coração do Mar, baseado no livro de mesmo nome, do escritor Nathaniel Philbrick. Corri com a leitura porque a estreia do filme estava prevista para março de 2015. Quando terminei a leitura, descobri que a estreia havia sido adiada para dezembro de 2015. Então tá então… vamos esperar…

9 – Um leitura que pretende retomar em 2015

Walden, de Thoreau. Foi o primeiro livro que comecei a ler no kindle, mas ainda não consegui terminar. O problema não é o livro, mas a leitura no leitor digital, que não flui da mesma maneira que a leitura em papel.

10 – Três livros da sua meta para 2015

  1. Sagarana, de João Guimarães Rosa;
  2. As Vinhas da Ira, de John Steinbeck;
  3. A Trilogia de Nova York, de Paul Auster.

Boas leituras!

TAG Livros

Livro – No Coração do Mar, de Nathaniel Philbrick

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No Coração do Mar narra a história real do baleeiro Essex, que naufragou no Oceano Pacífico em 1820. O Essex partiu de Nantucket (cidade do estado americano de Massachussets) em agosto de 1819 com a missão de caçar baleias cachalotes. A viagem teria uma duração média de dois anos e meio. Acontece que ocorreu um naufrágio em novembro de 1820 e a promissória viagem se tornou um grande pesadelo em busca da sobrevivência.

A história do naufrágio do Essex causa muita curiosidade e já foi tema de diversos livros e filmes, entre eles, Moby Dick, de Herman Melville. Nathaniel Philbrick é um desses curiosos e, numa narrativa emocionante e detalhada, conta a aventura dos 21 tripulantes desde a saída de Nantucket até o resgate, 95 dias depois do naufrágio.

Os homens do Essex se viram levados a extremos semelhantes. “Foram inúteis todos os expedientes tentados para aliviar o ardor cada vez maior na garganta”, recordou Chase. Eles sabiam que beber água salgada só serviria para piorar tal estado, mas isso não impediu alguns deles de tentar reter uma pequena quantidade de água do mar dentro da boca, na esperança de que conseguissem assimilar um pouco de umidade. Isso só servia para aumentar a sede. A exemplo de Valencia, eles beberam a própria urina. “Nosso sofrimento durante esses dias de calmaria”, escreveu Chase, “foi quase além do que se pode humanamente acreditar.”

Os sobreviventes do Essex haviam entrado na fase da sede que McGee define como “boca de algodão”. A saliva se torna grossa e tem gosto de coisa podre; a língua, de forma irritante, gruda-se nos dentes e no céu da boca. Embora falar seja difícil, os que padecem essa agonia são levados, muitas vezes, a lamentar-se o tempo todo acerca da sua sede, até que suas vozes tornam-se tão rachadas e roucas que já não conseguem mais falar. Um caroço parece formar-se na garganta, forçando a vítima a engolir repetidas vezes na vã tentativa de eliminá-lo. Sente-se uma dor aguda na cabeça e no pescoço. O rosto dá a sensação de inchar em virtude do encolhimento da pele. A audição é afetada e muitas pessoas passam a ter alucinações.

Leitura recomendadíssima! O livro virou filme (estreia marcada para novembro de 2015).

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No Coração do Mar Nathaniel Philbrick Tradução: Rubens Figueiredo Editora Companhia das Letras 392 páginas

Livro – No Coração do Mar, de Nathaniel Philbrick

Leituras de Fevereiro de 2015

Este mês, resolvi participar de mais dois desafios literários. O primeiro deles é o Desafio Livrada! 2015, criado pelo blog Livrada. O outro é um desafio criado por mim mesma, o Desafio de Literatura Americana. Duas das leituras que fiz em fevereiro já foram para esses desafios. São elas: Na Natureza Selvagem, de Jon Krakauer,  e O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald. Escrevi texto para os dois aqui no blog!

Li também Mary Poppins, de P. L. Travers. Tinha poucas lembranças da história, pois assisti ao filme quando era bem criança. A leitura é bem leve (o livro é infantojuvenil), entretanto, as histórias mirabolantes da babá Mary Poppins mexem bastante com a imaginação do leitor. Gostei da leitura!

marypoppinsÉ isso então! Boas leituras!

Leituras de Fevereiro de 2015

Livro – Na Natureza Selvagem, de Jon Krakauer

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Na Natureza Selvagem é um livro de não-ficção escrito pelo escritor Jon Krakauer e publicado em 1996. O livro narra a história do jovem Chris McCandless, que virou um mito após sua aventura pelos Estados Unidos com um trágico fim no Alasca. O mito cresceu com o filme dirigido por Sean Penn e trilha sonora de Eddie Vedder.

O estilo de vida que Chris adota é encantador, apesar de incompreensível em alguns momentos. Sua filosofia é sonhadora, revolucionária e conflituosa com a vida em sociedade. Jon Krakauer fez um trabalho muito minucioso ao pesquisar os locais por onde Chris passou, além de desenvolver diversas hipóteses para sua morte e narrar histórias de outros aventureiros que, como Chris, adotaram um estilo de vida bem peculiar.

O ponto alto do livro é a intenção do autor de explicar como Chris entendia a vida e não apenas rotulá-lo como um louco suicida. Após a leitura do livro, não vejo Chris como suicida, mas como um jovem cheio de questionamentos e dúvidas sobre a vida e que tinha o sincero desejo de obter respostas para seus conflitos internos.

O livro faz diversas referências a livros que foram encontrados com Chris, tais como Felicidade Conjugal (Tolstoi), Walden (Thoreau) e Caninos Brancos (Jack London). Em um desses livros, há uma observação feita por Chris que diz “a felicidade só real quando compartilhada”. Talvez essa seja uma das passagens mais lindas e que nos leva a crer que Chris estava disposto a viver na sociedade outra vez.

O livro me tocou profundamente. Logo após a leitura, assisti ao filme e escutei a trilha sonora umas três mil vezes. Já fiz inúmeras pesquisas na internet sobre a história de Chris e já tenho até um roteiro de viagem para um dia visitar o Magic Bus no Alasca!

Destaco aqui um trecho da música Society (Eddie Vedder) que simboliza bem os conflitos que Chris tinha:

Oh, it’s a mystery to me
We have a greed with which we have agreed
And you think you have to want more than you need
Until you have it all you won’t be free

Society, you’re a crazy breed
Hope you’re not lonely without me…

Recomendo muito a leitura. Principalmente aos que gostam de aventuras!

Na Natureza Selvagem Jon Krakauer Tradução: Pedro Maia Soares Companhia das Letras 216 páginas
Na Natureza Selvagem
Jon Krakauer
Tradução: Pedro Maia Soares
Companhia das Letras
216 páginas
Livro – Na Natureza Selvagem, de Jon Krakauer

Desafio Livrada! 2015

Adoro desafios literários porque traçam metas e nos incentivam a ler outros gêneros e autores. O Desafio Livrada! 2015 foi lançado com o objetivo especial de tirar os leitores de suas zonas de conforto. Por isso, resolvi participar! Escolhi livros da biblioteca pública que frequento aqui em Brasília.

Segue a lista:

foto 1(1)Um livro policial: A História Secreta, de Donna Tartt. É o romance de estreia da norte-americana Donna Tartt e ficou muito conhecido por fugir da estrutura formal dos livros policiais.

foto 4(3)Um livro infanto-juvenil: A Famosa Invasão dos Ursos na Sicília, de Dino Buzzati. Li O Deserto dos Tártaros em 2014 e gostei bastante. Fiquei curiosa com o livro infanto-juvenil do escritor.

foto 1(3)Um livro de ficção científica: Fahrenheit 451, de Ray Bradbury. É uma das obras distópicas mais famosas. Finalmente vou ler!

foto 3(3)Um livro escrito antes do século 20: No Caminho de Swann, de Marcel Proust. Tenho um pouco de medo de ler Proust. O projeto Lendo Proust da Tati Feltrin me deu coragem para iniciar a leitura da série.

foto 4(2)Um livro de ensaios, artigos ou crítica literária: Dentro da Baleia e outros ensaios, de George Orwell. Os livros da foto estão apenas representando o livro escolhido. George Orwell é muito conhecido por suas obras de ficção, embora também seja um exímio ensaísta.

foto 4Um livro que você já está querendo ler há mais de dois anos: Mar Sem Fim, de Amyr Klink. Tive a oportunidade de assistir a uma palestra do Amyr Klink há uns 5 anos. Desde então o livro Mar Sem Fim está na minha lista de leituras. Acho que chegou a hora!

foto 1 foto 3(2)Um romance com protagonista feminino: Inverno da Manhã, de Janina Bauman, e Amada, de Toni Morrison. Fiquei em dúvida, por isso, escolhi os dois.

foto 3(1)Um romance africano: Niketche, uma História de Poligamia, de Paulina Chiziane. Nunca ouvi falar do livro ou da escritora. A escolha foi feita apenas pela bela capa e pela interessante sinopse. Oportunidades e descobertas que só as bibliotecas nos proporcionam!

foto 2Uma peça de teatro: Seis Personagens à Procura de Autor, de Luigi Pirandello. Apesar de não ter o hábito de ler peças de teatro, gosto bastante do formato. Escolhi um mega clássico.

foto 1(2)Um romance de realismo maravilhoso latino-americano: O Vampiro de Curitiba, de Dalton Trevisan. Resolvi escolher um escritor brasileiro que representa a escola do realismo maravilhoso. Quando se fala em realismo mágico ou realismo maravilhoso, o primeiro escritor que me vem à mente é Gabriel Garcia Márquez. Mas, já que o objetivo é sair da zona de conforto, escolhi um autor menos conhecido.

foto 4(1)Um livro que todo mundo diz que merece uma chance mas você acha que não: O Iluminado, de Stephen King. Apesar do escrito Stephen King ser tão famoso e badalado, nunca li nada dele e confesso que tenho até um certo preconceito. Bom, vamos sair da zona de conforto e afastar os preconceitos literários.

foto 3Uma biografia: Na Natureza Selvagem, de Jon Krakauer. Acredito que esse livro se enquadra melhor na categoria de livro reportagem, mas como ele estava na prateleira das biografias e tenho muita vontade de ler, resolvi encaixá-lo aqui mesmo.

foto 2(2)Um livro reportagem: Cidade Partida, de Zuenir Ventura. Zuenir Ventura foi escolhido para ocupar uma vaga da ABL em 2014 e tem, entre os suas principais obras, um livro reportagem sobre cidade do Rio de Janeiro. Essa é uma boa chance de entrar em contato com a obra do novo imortal.

foto 2(1)Um livro que virou filme: No Coração do Mar, de Nathaniel Philbrick. O livro narra a história do naufrágio do Essex, fato que também inspirou Herman Melville a escrever Moby Dick. O filme entrará em cartaz este ano!

foto 2(3)Pastoral Americana, de Philip Roth. O Adeus, Colombus só está representando o último livro do desafio porque foi o único livro do Philip Roth que encontrei na biblioteca!

Boas leituras!

Desafio Livrada! 2015

Livro – O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald

fitzgerald

O Grande Gatsby é um dos maiores clássicos da Literatura Americana. Escrito por F. Scott Fitzgerald, a obra foi publicada em abril de 1925 e, curiosamente, não obteve popularidade de imediato.

O enredo é muito conhecido, principalmente por sua recente adaptação cinematográfica. Em síntese, a obra conta a trajetória do riquíssimo Jay Gatsby e sua paixão por Daisy, é narrada por Nick Carraway e se passa na cidade de Long Island, localizada na região metropolitana de Nova Iorque, durante a década de 1920.

Os personagens são muito interessantes e retratam muito bem os valores que reinavam à época. A aparente pompa e glamour das festas de Jay Gatsby apenas escondem o vazio da sociedade materialista da década de 1920. Entretanto, a personagem que mais me intrigou foi Daisy. Odiada por muitos leitores, enxergo Daisy como uma personagem muito esperta. O seu suposto caráter interesseiro era apenas uma saída encontrada para manter os padrões sociais. Ressalte-se que esse caráter era tão semelhante quanto ao interesse de Gatsby por ela, que via não sonhada união com Daisy uma possibilidade de ascensão social. O interesse entre Gatsby e Daisy, portanto, era recíproco, seja ele financeiro ou social.

O ponto alto do livro é a discussão no hotel em Manhattan, quando os sentimentos são expostos e os reais interesses dos personagens vêm à tona.

Uma das melhores passagens é o momento em que Daisy descobre que o sexo de sua filha:

Ela me disse que era menina, então, virei a cabeça para o lado e chorei. ‘Tudo bem’, eu disse. ‘Fico contente que seja uma menina. E espero que ela seja uma tola. Essa é a melhor coisa que uma garota pode ser neste mundo, uma linda tolinha’.

O Grande Gatsby é um dos melhores livros que já li. É um livro simples que traz grandes reflexões sobre valores sociais. Leitura recomendadíssima!

O Grande Gatsby F. Scott Fitzgerald Tradução: Roberto Muggiatti Editora Record 252 páginas
O Grande Gatsby
F. Scott Fitzgerald
Tradução: Roberto Muggiatti
Editora Record
252 páginas
Livro – O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald